POR MARIA LUISA BARROS, RIO DE JANEIRO – JORNAL O DIA , 14/06/2009
Rio - Banheiros depredados, salas pichadas e cozinha com baratas pelos cantos. Há cinco anos, esse era o cenário do Colégio Estadual Murilo Braga, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Como abelhas obreiras, os voluntários foram chegando para mudar o ambiente escolar. O maestro Edir Pereira da Silva, 43 anos, conseguiu a doação de bumbos, surdos e liras. Comerciantes do bairro pagaram as camisas da banda, que hoje tem 80 músicos, 30 instrumentos, 25 alunos na fila de espera e nenhuma pichação. Junto com Edir, vieram Tony, Sebastião e tantos outros.
Nos últimos anos, escolas e voluntários descobriram que, juntos, podem melhorar a qualidade da educação brasileira. Uma enorme colônia social que não para de crescer. De acordo com o Instituto Faça Parte, em 2003, 8.766 colégios em todo o País receberam o Selo Escola Solidária. De lá para cá, 20.548 foram certificadas por desenvolver projetos voluntários com suas comunidades. No Estado do Rio, 1.075 unidades já contam com o trabalho solidário de 1.765 pessoas. Um dos programas da Unicef desenvolve ações em 465 escolas no Estado do Rio — 6. 653 em todo o Brasil. Só na capital, 610 colégios municipais receberam este ano o apoio de 1.300 voluntários, selecionados entre 3.650 candidatos para trabalhar no Reforço Escolar da Prefeitura do Rio.
A enorme procura de voluntários levou a Secretaria Municipal de Educação a prorrogar as inscrições. Ronaldo de Souza Fróes, 18 anos, é um deles. Duas vezes na semana, ele acorda às 4h para estar às 7h na Faculdade de Direito, no Centro. Ao meio-dia, volta a Cosmos, onde almoça rápido. Dezessete crianças esperam por ele na Escola Municipal Apolônio de Carvalho. “Não me importo de perder as tardes. Só a alegria que eles sentem, quando recebem ajuda, paga tudo”, conta Ronaldo, que usa guloseimas para ensinar divisão.
Rotina solidária que também acompanha a psicóloga Mara da Conceição, 50 anos. Ela dá aulas de reforço a 22 adolescentes na Escola Municipal Alba Canizares do Nascimento, em Inhoaíba, na Zona Oeste, onde está metade (51.159) dos estudantes com dificuldades em Português e Matemática. “Fico quatro horas na escola.
Acho muito pouco pela defasagem que eles têm”, diz Mara. O arqueólogo Geoffrey Kavanagh, 45 anos, tirou três meses de licença do trabalho na Inglaterra para ensinar Inglês a jovens do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo. Geoffrey é um dos 159 voluntários do Solar Meninos de Luz, obra social espírita, em Copa.
Educadora da Uerj, Alzira Batalha crê que o trabalho voluntário não pode ser usado para suprir déficit de professores: “Cabe ao poder público garantir recursos materiais e humanos nas escolas.Por que não expande a carga horária do professor por tempo integral? Falta prioridade no gasto dos recursos”. Coordenadora do Rio Voluntário, Cláudia Presotto defende a ação social contra a violência e a evasão escolar: “Quando a sociedade se envolve, a escola se torna o centro comunitário. Isso não é caridade, é cidadania”.
Livros de poesia e palco de garrafa PET
Há cinco anos, o educador cultural Tony Maneiro, 57 anos, dedica algumas horas na semana para dar aulas de Teatro e oficinas de leitura para alunos do Colégio Estadual Professor Murilo Braga, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. A ação surtiu efeito no boletim e na biblioteca, que, antes vazia, passou a ficar lotada. Em breve, eles vão lançar um livro de poesias. Mas faltava um lugar onde pudessem encenar as peças teatrais. A solução veio de outro voluntário da escola, o professor aposentado Sebastião Feijó, 62 anos. Durante quatro meses, os alunos recolheram 10.400 garrafas PET, dois galões de cola e 18 metros de plástico e montaram um palco ecológico no auditório da escola.
Como se candidatar
A Secretaria Municipal de Educação continua convocando voluntários para trabalhar no Programa de Reforço Escolar da rede. Poderão participar pessoas que tenham pelo menos o Ensino Médio completo e professores aposentados. Quem precisar receberá R$ 100 para gastos com transporte e alimentação. Inscrições pela Internet, através do site da SME (www.rio.rj.gov.br/sme) ou pelo telefone (21) 2503-2498.
O Rio Voluntário também está cadastrando pessoas para trabalhar em ações comunitárias. Pelo site www.riovoluntario.org.br, o candidato conhece todas as oportunidades de trabalho voluntário. O cadastro pode ser feito pelo telefone (2262-1110), no ramal 461, ou pelo e-mail voluntariado@riovoluntario.org.br. Antes de ir para as escolas, todos são capacitados pela ONG.
Para todos?
Educação para todos é não precisar incluir; pressupõe-se que não haja excluídos.
Se é preciso incluir é porque não é para todos.
Se é preciso incluir é porque não é para todos.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário