Para todos?

Educação para todos é não precisar incluir; pressupõe-se que não haja excluídos.

Se é preciso incluir é porque não é para todos.

domingo, 7 de novembro de 2010

Tonga da Mironga do Cabuletê

1970.Vinícius e Toquinho voltam da Itália onde haviam acabado de inaugurar a parceria com o disco “A Arca de Noé”, fruto de um velho livro que o poetinha fizera para seu filho Pedro, quando este ainda era menino.

Encontram o Brasil em pleno “milagre econômico”. A censura em alta, a Bossa em baixa.



O poeta é visto como comunista pela cegueira militar e ultrapassado pela intelectualidade militante, que pejorativa e injustamente classifica sua música de easy music.



No teatro Castro Alves, em Salvador, é apresentada ao Brasil a nova parceria.



Vinícius está casado com a atriz baiana Gesse Gessy, uma das maiores paixões de sua vida, que o aproximaria do candomblé, apresentando-o à Mãe Menininha do Gantois.



Sentindo a angústia do companheiro, Gesse o diverte, ensinando-lhe xingamentos em Nagô, entre eles “tonga da mironga do cabuletê”, que significa “o pêlo do cu da mãe”.

O mote anal e seu sentimento em relação aos homens de verde oliva inspiram o poeta.



Com Toquinho, Vinícius compõe a canção para apresentá-la no Teatro Castro Alves.



Era a oportunidade de xingar os militares sem que eles compreendessem a ofensa.



E o poeta ainda se divertia com tudo isso: - “Te garanto que na Escola Superior de Guerra não tem um milico que saiba falar nagô”.



Fonte: Vinicius de Moraes: o Poeta da Paixão; uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.



Tonga da Mironga do Cabuletê



Toquinho e Vinicius de Moraes



Eu caio de bossa eu sou quem eu sou

Eu saio da fossa xingando em nagô

Você que ouve e não fala / Você que olha e não vê

Eu vou lhe dar uma pala / Você vai ter que aprender

A tonga da mironga do cabuletê

A tonga da mironga do cabuletê

A tonga da mironga do cabuletê

Você que lê e não sabe / Você que reza e não crê

Você que entra e não cabe / Você vai ter que viver

Na tonga da mironga do cabuletê

Na tonga da mironga do cabuletê

Na tonga da mironga do cabuletê

Você que fuma e não traga / E que não paga pra ver

Vou lhe rogar uma praga / Eu vou é mandar você

Pra tonga da mironga do cabuletê

Pra tonga da mironga do cabuletê

Pra tonga da mironga do cabuletê

Um comentário:

  1. Puxa eu não sabia dessa história, a partir de agora vou cantar Vinícius pelas ruas do Rio e xingar a todos que deixam seu au au cagar pelas calçadas... AMei! Parabéns!

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