O dono de um açougue foi surpreendido pela entrada de um cão no seu estabelecimento. Enxotou-o, mas o cão voltou logo em seguida.
Ao tentar espantá-lo mais uma vez, reparou que o cão trazia um bilhete na boca.
Ele pegou o bilhete e leu:
Pode mandar-me 12 salsichas e uma perna de carneiro, por favor?
O cão trazia também dinheiro na boca, uma nota de 50 euros.
O açougueiro pegou o dinheiro, pôs as salsichas e a perna de carneiro num saco e colocou tudo na boca do cão.
Este começou a descer a rua e, quando chegou ao cruzamento, depositou o saco no chão, pulou e apertou o botão para o sinal ficar verde.
O açougueiro ficou realmente impressionado. Como já estava na hora, decidiu fechar a loja e seguir o cão.
Este atravessou a rua e caminhou até uma parada de ônibus, sempre com o açougueiro a segui-lo.
Esperou pacientemente com o saco na boca que o sinal fechasse e pudesse atravessar.
Na parada, o cão sentou-se no banco, esperando o ônibus.
Quando um chegou, o cão foi até à frente para conferir o número e voltou para o seu lugar.
Outro ônibus chegou e ele tornou a olhar, viu que aquele era o número certo.
O açougueiro, boquiaberto, seguiu o cão.
Mais adiante este levantou-se, ficou em pé nas duas patas traseiras e apertou o botão para mandar parar o ônibus, tudo isso com as compras ainda na boca.
O açougueiro e o cão saltaram e foram caminhando pela rua até que o cão parou à porta de uma casa e pôs as compras no passeio.
Então virou-se um pouco, correu e atirou-se contra a porta. Tornou a fazer o mesmo mas ninguém respondeu.
Então contornou a casa, pulou um muro baixo, foi até à janela e começou a bater com a cabeça no vidro várias vezes.
Caminhou de volta para a porta e, de repente, um cara enorme abriu a porta e começou a espancar o bicho.
O açougueiro correu até ao homem e impediu-o dizendo:
'Deus do céu homem, o que é que você está fazendo? O seu cão é um gênio!'
O homem respondeu: 'Um gênio? Esta é a segunda vez esta semana que este cão estúpido se esquece da chave!'.
Moral da história?
Você pode exceder todas as expectativas, mas a sua avaliação depende sempre da competência de quem o avalia.
Para todos?
Educação para todos é não precisar incluir; pressupõe-se que não haja excluídos.
Se é preciso incluir é porque não é para todos.
Se é preciso incluir é porque não é para todos.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
MEC unificacao idade para ingresso no 1º ano
Portal Aprendiz, 23/07/2009
MEC elabora projeto para unificar idade de alunos da 1ª série; CNTE indica 6 anos como ideal
O MEC (Ministério da Educação) elabora projeto de lei para unificar a idade de entrada das crianças no ensino fundamental, que passará a ter nove anos de duração, e não mais oito como é atualmente. A proposta pretende reverter decisões de Estados que estão permitindo a matrícula de alunos com 5 anos na nova 1ª série. (*)
Com a expansão do ensino fundamental de oito para nove anos, o Conselho Nacional de Educação indica os 6 anos completos como idade de início nessa etapa, começo da vida escolar obrigatória. Antes disso, para o MEC, a matrícula pode causar prejuízos no amadurecimento e no aprendizado. Entre os Estados que contrariam a norma nacional estão dois - Paraná e Rio de Janeiro - que aprovaram leis estaduais que permitem matrículas na 1ª série do ensino fundamental de crianças que completem 6 anos até 31 de dezembro. Em São Paulo , o Conselho Estadual de Educação orienta escolas públicas e particulares a matricularem na 1ª série crianças que completem 6 anos até 30 de junho.
O projeto deve ser enviado em agosto ao Congresso, fixando uma data de corte nacional.
"É uma questão de amadurecimento das crianças e do direito delas à educação infantil. Isso é sério, porque a infância até 5 anos tem um processo de aprendizagem muito diferente das crianças maiores", diz Maria do Pilar Lacerda, secretária de educação básica do MEC.
O presidente do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, Arthur Fonseca Filho, "lamenta" o projeto de lei em elaboração no MEC. "Não acho errado que cada Estado tenha o seu modelo. Essa autonomia está prevista na Constituição e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação", afirma. "Escolhemos a data de 30 de junho porque antes era 31 de dezembro e não queríamos uma mudança radical", completa. (UOL)
============ =====
Lei 5488/2009 de 22 de junho de 2009 , aprovada pela ALERJ e sancionada pelo Governador Sergio Cabral . Por esta lei, a idade de ingresso é determinada pelo ano de nascimento, ou seja, basta completar 6 anos de 1º de janeiro a 31 de dezembro.
MEC elabora projeto para unificar idade de alunos da 1ª série; CNTE indica 6 anos como ideal
O MEC (Ministério da Educação) elabora projeto de lei para unificar a idade de entrada das crianças no ensino fundamental, que passará a ter nove anos de duração, e não mais oito como é atualmente. A proposta pretende reverter decisões de Estados que estão permitindo a matrícula de alunos com 5 anos na nova 1ª série. (*)
Com a expansão do ensino fundamental de oito para nove anos, o Conselho Nacional de Educação indica os 6 anos completos como idade de início nessa etapa, começo da vida escolar obrigatória. Antes disso, para o MEC, a matrícula pode causar prejuízos no amadurecimento e no aprendizado. Entre os Estados que contrariam a norma nacional estão dois - Paraná e Rio de Janeiro - que aprovaram leis estaduais que permitem matrículas na 1ª série do ensino fundamental de crianças que completem 6 anos até 31 de dezembro. Em São Paulo , o Conselho Estadual de Educação orienta escolas públicas e particulares a matricularem na 1ª série crianças que completem 6 anos até 30 de junho.
O projeto deve ser enviado em agosto ao Congresso, fixando uma data de corte nacional.
"É uma questão de amadurecimento das crianças e do direito delas à educação infantil. Isso é sério, porque a infância até 5 anos tem um processo de aprendizagem muito diferente das crianças maiores", diz Maria do Pilar Lacerda, secretária de educação básica do MEC.
O presidente do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, Arthur Fonseca Filho, "lamenta" o projeto de lei em elaboração no MEC. "Não acho errado que cada Estado tenha o seu modelo. Essa autonomia está prevista na Constituição e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação", afirma. "Escolhemos a data de 30 de junho porque antes era 31 de dezembro e não queríamos uma mudança radical", completa. (UOL)
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Lei 5488/2009 de 22 de junho de 2009 , aprovada pela ALERJ e sancionada pelo Governador Sergio Cabral . Por esta lei, a idade de ingresso é determinada pelo ano de nascimento, ou seja, basta completar 6 anos de 1º de janeiro a 31 de dezembro.
domingo, 26 de julho de 2009
Educando em campo minado
Comportamento - REVISTA ISTO É, semana 26/07 a 02/08/2009
Educando em campo minado
Método inovador de ensino para áreas de risco será adotado na rede municipal do Rio de Janeiro
Adriana Prado
MUDANÇAS Yvonne de Mello com as crianças: sem quadro-negro nem dever de casa
FOTOS: DANIELA DACORSO/AG. ISTOÉ

Matheus de Lima Sales, 11 anos, já foi confundido com uma vítima de tiroteio na Baixa do Sapateiro, uma das favelas do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. "Um garoto com o mesmo nome morreu em frente de casa e todo mundo achou que era eu", lembra o menino, referindo-se a Mateus Rodrigues Carvalho, 8 anos, atingido por uma bala perdida num confronto entre policiais e traficantes em dezembro do ano passado. "Fiquei muito assustado no dia, mas a gente está meio acostumado com essas coisas", diz. Não é bem assim. Ninguém se acostuma à violência, ao risco iminente da morte, muito menos as crianças.
O trauma da ameaça constante dos que vivem em zonas de risco se reflete nas salas de aula. Eles têm dificuldade de aprender, de memorizar, de se concentrar. São meninos e meninas com um grande histórico de perdas - de familiares, colegas, vizinhos. Aulas tradicionais não conseguem convencê-los de que é importante estudar, até para se defender melhor na vida. Prova disso é que o analfabetismo funcional - alunos que mal entendem o que está escrito e tampouco escrevem direito - é maior nessas áreas. Chega a 19,2%, enquanto a média da rede pública é de 14,6%.

A boa-nova é que métodos especiais conseguem. A artista plástica carioca Yvonne Bezerra de Mello, conhecida por realizar trabalhos solidários com menores de rua, criou uma metodologia de ensino para crianças traumatizadas por troca de tiros, agressões físicas, abandono e privações - e que a partir de agosto será adotada em 147 colégios municipais do Rio em zonas de risco.
"Nosso objetivo é melhorar o aproveitamento das crianças", diz a secretária municipal de Educação, Cláudia Costin. "Conheci o trabalho da Yvonne ao pesquisar métodos de ensino alternativos no Brasil e o sistema dela se mostrou o mais adequado." O que será feito na rede municipal carioca foi testado no projeto Uerê, que Yvonne - doutora em políticas públicas e direitos humanos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pela Loyola Univesity, de Chicago - coordena desde 1998 e que atende estudantes com problemas de aprendizado na favela da Maré. "As experiências vão se acumulando na cabeça dessas crianças como se fosse uma lata de lixo, impedindo que o cérebro funcione normalmente", diz a pesquisadora. A metodologia já foi testada, inclusive, fora do Brasil, em zonas de conflito na África. Por conta dos resultados, Yvonne recebeu o Prêmio Paz no Mundo e Cidadania, da União Europeia, em 2007.
Há jovens que chegam ao Uerê tomando remédios para problemas neurológicos ou psiquiátricos. "Infelizmente, é comum que os professores façam esses diagnósticos", diz a psicóloga escolar Vera Lúcia Trindade, da Universidade Estadual do Rio. Falta de concentração, dificuldade de memorização, irritabilidade, agressividade, problemas de audição e dores pelo corpo são alguns dos sinais apresentados por crianças que vivem em áreas de risco.
Um dos pontos principais dessa nova metodologia é estimular o cérebro dos alunos com muita conversa e alternância de atividades. A aula começa com um bate-papo. Os alunos falam sobre as coisas boas e ruins do dia anterior, afastando as más lembranças e liberando a cabeça para o aprendizado. O tema da violência aparece com frequência. Ao falar do seu dia, Ágatha Barbosa de Souza, 8 anos, disse: "Tenho trauma do caveirão." A garota referia-se ao veículo blindado usado pela polícia nas operações em favelas. "Ela tam bém enfrenta proble mas de bebida na família. Chegou ao Uerê a nal fabeta e ho je é uma das me lhores alunas", conta Yvonne.
FOTOS: DANIELA DACORSO/AG. ISTOÉ
ESPERANÇA Matheus Sales, Ágatha Souza e Thais Oliveira: aprendizado em projeto piloto na favela da Maré
Thais de Souza Oliveira, 11 anos , não sabia ler nem escrever. "Na escola a pro fe s sora colocava a matéria no quadro, pedia para a gente copiar e saía da sala", lembra a menina. No Uerê, professor não tem mesa. Ele deve interagir com os alunos sempre, se aproximar deles. "Coloco a mão no queixo pa ra que eles olhem para mim. Eles não estão acostumados a conversar olhando no olho em casa e não sabem focar o olhar", diz Yvon ne. O quadro-negro quase não é usado, e o conteúdo é transmitido oralmente, como se o educador estivesse contando uma história. Cada aula não dura mais do que 30 minutos.
"É preferível abrir mão de detalhes, mas ter certeza de que as crianças vão absorver o conhecimento", argumenta. Os alunos só escrevem na hora de resolver os exercícios em sala de aula. Não há dever de casa. Assim, se tiver dúvidas, a criança não se angustiará pedindo ajuda a pais e parentes que, em sua maioria, têm pouco ou nenhum estudo. A implementação do novo método será feita aos poucos. "Será a primeira aplicação da metodologia em larga escala e esperamos melhorar o aproveitamento dessas crianças", diz a secretária municipal Cláudia Costin. "Será uma nova forma de o professor se relacionar com a turma, em qualquer disciplina."
Educando em campo minado
Método inovador de ensino para áreas de risco será adotado na rede municipal do Rio de Janeiro
Adriana Prado
MUDANÇAS Yvonne de Mello com as crianças: sem quadro-negro nem dever de casa
FOTOS: DANIELA DACORSO/AG. ISTOÉ
Matheus de Lima Sales, 11 anos, já foi confundido com uma vítima de tiroteio na Baixa do Sapateiro, uma das favelas do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. "Um garoto com o mesmo nome morreu em frente de casa e todo mundo achou que era eu", lembra o menino, referindo-se a Mateus Rodrigues Carvalho, 8 anos, atingido por uma bala perdida num confronto entre policiais e traficantes em dezembro do ano passado. "Fiquei muito assustado no dia, mas a gente está meio acostumado com essas coisas", diz. Não é bem assim. Ninguém se acostuma à violência, ao risco iminente da morte, muito menos as crianças.
O trauma da ameaça constante dos que vivem em zonas de risco se reflete nas salas de aula. Eles têm dificuldade de aprender, de memorizar, de se concentrar. São meninos e meninas com um grande histórico de perdas - de familiares, colegas, vizinhos. Aulas tradicionais não conseguem convencê-los de que é importante estudar, até para se defender melhor na vida. Prova disso é que o analfabetismo funcional - alunos que mal entendem o que está escrito e tampouco escrevem direito - é maior nessas áreas. Chega a 19,2%, enquanto a média da rede pública é de 14,6%.
A boa-nova é que métodos especiais conseguem. A artista plástica carioca Yvonne Bezerra de Mello, conhecida por realizar trabalhos solidários com menores de rua, criou uma metodologia de ensino para crianças traumatizadas por troca de tiros, agressões físicas, abandono e privações - e que a partir de agosto será adotada em 147 colégios municipais do Rio em zonas de risco.
"Nosso objetivo é melhorar o aproveitamento das crianças", diz a secretária municipal de Educação, Cláudia Costin. "Conheci o trabalho da Yvonne ao pesquisar métodos de ensino alternativos no Brasil e o sistema dela se mostrou o mais adequado." O que será feito na rede municipal carioca foi testado no projeto Uerê, que Yvonne - doutora em políticas públicas e direitos humanos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pela Loyola Univesity, de Chicago - coordena desde 1998 e que atende estudantes com problemas de aprendizado na favela da Maré. "As experiências vão se acumulando na cabeça dessas crianças como se fosse uma lata de lixo, impedindo que o cérebro funcione normalmente", diz a pesquisadora. A metodologia já foi testada, inclusive, fora do Brasil, em zonas de conflito na África. Por conta dos resultados, Yvonne recebeu o Prêmio Paz no Mundo e Cidadania, da União Europeia, em 2007.
Há jovens que chegam ao Uerê tomando remédios para problemas neurológicos ou psiquiátricos. "Infelizmente, é comum que os professores façam esses diagnósticos", diz a psicóloga escolar Vera Lúcia Trindade, da Universidade Estadual do Rio. Falta de concentração, dificuldade de memorização, irritabilidade, agressividade, problemas de audição e dores pelo corpo são alguns dos sinais apresentados por crianças que vivem em áreas de risco.
Um dos pontos principais dessa nova metodologia é estimular o cérebro dos alunos com muita conversa e alternância de atividades. A aula começa com um bate-papo. Os alunos falam sobre as coisas boas e ruins do dia anterior, afastando as más lembranças e liberando a cabeça para o aprendizado. O tema da violência aparece com frequência. Ao falar do seu dia, Ágatha Barbosa de Souza, 8 anos, disse: "Tenho trauma do caveirão." A garota referia-se ao veículo blindado usado pela polícia nas operações em favelas. "Ela tam bém enfrenta proble mas de bebida na família. Chegou ao Uerê a nal fabeta e ho je é uma das me lhores alunas", conta Yvonne.
FOTOS: DANIELA DACORSO/AG. ISTOÉ
ESPERANÇA Matheus Sales, Ágatha Souza e Thais Oliveira: aprendizado em projeto piloto na favela da Maré
Thais de Souza Oliveira, 11 anos , não sabia ler nem escrever. "Na escola a pro fe s sora colocava a matéria no quadro, pedia para a gente copiar e saía da sala", lembra a menina. No Uerê, professor não tem mesa. Ele deve interagir com os alunos sempre, se aproximar deles. "Coloco a mão no queixo pa ra que eles olhem para mim. Eles não estão acostumados a conversar olhando no olho em casa e não sabem focar o olhar", diz Yvon ne. O quadro-negro quase não é usado, e o conteúdo é transmitido oralmente, como se o educador estivesse contando uma história. Cada aula não dura mais do que 30 minutos.
"É preferível abrir mão de detalhes, mas ter certeza de que as crianças vão absorver o conhecimento", argumenta. Os alunos só escrevem na hora de resolver os exercícios em sala de aula. Não há dever de casa. Assim, se tiver dúvidas, a criança não se angustiará pedindo ajuda a pais e parentes que, em sua maioria, têm pouco ou nenhum estudo. A implementação do novo método será feita aos poucos. "Será a primeira aplicação da metodologia em larga escala e esperamos melhorar o aproveitamento dessas crianças", diz a secretária municipal Cláudia Costin. "Será uma nova forma de o professor se relacionar com a turma, em qualquer disciplina."
Educação – REVISTA VEJA desta semana ( 19 a 26/07/2009)
A melhor escola do mundo
Como a Finlândia criou, com medidas simples e focadas no professor, o mais invejado sistema educacional
Thomaz Favaro, de Helsinque
Quem entra numa escola na Finlândia se espanta com a simplicidade das instalações. Era de esperar que o sistema educacional considerado o melhor do mundo surpreendesse também pela exuberância do equipamento didático. Na verdade, na escola Meilahden Yläaste, em Helsinque, igual a centenas de outras do país, as salas de aula são convencionais, com quadro-negro e, às vezes, um par de computadores. Apesar do despojamento, as escolas finlandesas lideram o ranking do Pisa, a mais abrangente avaliação internacional de educação, feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O último teste, em 2006, foi aplicado em 400 000 alunos de 57 países. O Brasil disputa as últimas posições com países como Tunísia e Indonésia.
O segredo da boa educação finlandesa realmente não está na parafernália tecnológica, mas numa aposta nas duas bases de qualquer sistema educacional. A primeira é o currículo amplo, que inclui o ensino de música, arte e pelo menos duas línguas estrangeiras. A segunda é a formação de professores. O título de mestrado é exigido até para os educadores do ensino básico.
Dar ênfase à qualidade dos professores foi um dos primeiros passos da reforma educacional que o país implementou a partir dos anos 70, e é nesse quesito que a Finlândia mais tem a ensinar ao Brasil. Quarenta anos atrás, metade da população finlandesa vivia na zona rural. A economia era dependente das flutuações do preço da madeira, já que 55% das exportações vinham da indústria florestal. Além dos bosques que cobrem 75% do território, o país só tinha a oferecer sua mão-de-obra barata. Os finlandeses emigravam em massa para vizinhos ricos, como a Suécia, em busca de melhores condições de vida. Preocupados com a má qualidade das escolas públicas, os pais estavam transferindo os filhos para instituições privadas de ensino. Em alguns desses aspectos, a Finlândia se parecia com o Brasil. A reforma educacional colocou a qualificação dos professores a cargo das universidades, com duração de cinco anos. Hoje, a profissão é disputadíssima (só 10% dos candidatos são aprovados) e usufrui grande prestígio social (é a carreira mais desejada pelos estudantes do ensino médio).
O segundo passo da reforma, em 1985, foi descentralizar o sistema de ensino. Por esse conceito, o professor é o principal responsável pelo desempenho de seus alunos: é ele quem avalia os estudantes, identifica os problemas, busca soluções e analisa os resultados. O Ministério da Educação dá apenas as linhas gerais do conteúdo a ser lecionado. "Isso só é possível porque os professores recebem um treinamento prático específico para saber lidar com tanta independência", disse a VEJA Hannele Niemi, vice-reitora da Universidade de Helsinque, que trabalha com a formação de professores há três décadas. O currículo escolar também é flexível, decidido em conjunto entre professores, administradores, pais e representantes dos alunos. A cada

três anos, as metas da escola são negociadas com o Conselho Nacional de Educação, órgão responsável por aplicar as políticas do ministério. "Queremos que os professores e os diretores, que conhecem o dia-a-dia da escola, sejam responsáveis pela educação", diz Reijo Laukkanen, um dos membros mais antigos do Conselho Nacional de Educação.
O governo finlandês faz anualmente um teste com todas as escolas do país e o resultado é entregue ao diretor da instituição, comparando o desempenho de seus alunos com a média nacional. Cabe aos diretores e aos professores decidir como resolver seus fracassos. Esse sistema tem o mérito de fazer com que os professores se sintam motivados para trabalhar. A reforma educacional finlandesa levou três décadas para se consolidar. Pouco a pouco, as crianças voltaram a ser matriculadas nas escolas públicas e as instituições privadas foram incorporadas ao sistema do estado. Hoje, 99% das escolas são públicas e o aluno conta com material escolar, refeições e transporte gratuitos. Cerca de 20% dos estudantes recebem algum tipo de reforço escolar, índice acima da média internacional, de 6%. "Quando um aluno repete, perde toda sua motivação, torna-se amargo e pode até apresentar resultados piores que na primeira tentativa", diz Eeva Penttilä, do departamento de educação da cidade de Helsinque.
O sucesso da educação finlandesa é, em parte, fruto das características únicas do país. A população, de 5,2 milhões de habitantes, é relativamente pequena e homogênea. "Com uma população 35 vezes maior e disparidades regionais e sociais mais acentuadas, o Brasil não conseguiria ter o mesmo padrão de igualdade entre as escolas, como existe na Finlândia", diz João Batista de Oliveira, ex-secretário executivo do Ministério da Educação. O preço do sistema de bem-estar social que assiste o cidadão do berço ao túmulo é uma carga tributária de 43% do PIB, uma das maiores do mundo, mas apenas seis pontos acima da brasileira. Ou seja, trata-se de um estado paquidérmico, mas eficiente. A Finlândia é o país menos corrupto, segundo a Transparência Internacional.
Há quase treze anos na Finlândia, a brasileira Andrea Brandão conhece bem as diferenças entre as duas sociedades. "No Brasil, muita gente acha que algumas profissões, como porteiro, não necessitam de um ensino básico de qualidade", diz. "Na Finlândia, existe um consenso de que todo mundo precisa ter uma educação mínima para ser um cidadão." Andrea é professora de inglês em uma das poucas escolas particulares do país, voltada para a população de fala sueca, que é minoria na Finlândia. Particular, nos "moldes finlandeses", significa que os alunos pagam uma anuidade opcional de 100 euros, pouco mais de 250 reais.
A estudante Eeva-Maria Puska, de 16 anos, passa seis horas e meia por dia na escola Meilahden Yläaste, em Helsinque. Além das disciplinas obrigatórias, ela freqüenta aulas de música, artes e francês, opcionais para os alunos da 9ª série. Mesmo com tantas matérias, Eeva não reclama da carga horária nem, menos ainda, do ambiente: "Gosto dos meus professores, tanto como profissionais quanto como pessoas", afirma. Na sua escola, professores e alunos conversam amigavelmente nos corredores espaçosos e bem iluminados.
A educação de qualidade foi essencial para uma virada na economia finlandesa. A mão-de-obra qualificada permitiu que a eletrônica substituísse a madeira e o papel como principais produtos de exportação. A Finlândia tem hoje o terceiro maior investimento em pesquisa e desenvolvimento do planeta, grande parte feita por empresas privadas. Uma antiga fábrica de papéis e de botas de borracha do interior do país foi o símbolo dessa transformação. A empresa, Nokia, hoje é a maior fabricante mundial de celulares, com 40% do mercado internacional. Juntos, ela e o sistema educacional são os dois maiores orgulhos dos finlandeses.
A melhor escola do mundo
Como a Finlândia criou, com medidas simples e focadas no professor, o mais invejado sistema educacional
Thomaz Favaro, de Helsinque
Quem entra numa escola na Finlândia se espanta com a simplicidade das instalações. Era de esperar que o sistema educacional considerado o melhor do mundo surpreendesse também pela exuberância do equipamento didático. Na verdade, na escola Meilahden Yläaste, em Helsinque, igual a centenas de outras do país, as salas de aula são convencionais, com quadro-negro e, às vezes, um par de computadores. Apesar do despojamento, as escolas finlandesas lideram o ranking do Pisa, a mais abrangente avaliação internacional de educação, feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O último teste, em 2006, foi aplicado em 400 000 alunos de 57 países. O Brasil disputa as últimas posições com países como Tunísia e Indonésia.
O segredo da boa educação finlandesa realmente não está na parafernália tecnológica, mas numa aposta nas duas bases de qualquer sistema educacional. A primeira é o currículo amplo, que inclui o ensino de música, arte e pelo menos duas línguas estrangeiras. A segunda é a formação de professores. O título de mestrado é exigido até para os educadores do ensino básico.
Dar ênfase à qualidade dos professores foi um dos primeiros passos da reforma educacional que o país implementou a partir dos anos 70, e é nesse quesito que a Finlândia mais tem a ensinar ao Brasil. Quarenta anos atrás, metade da população finlandesa vivia na zona rural. A economia era dependente das flutuações do preço da madeira, já que 55% das exportações vinham da indústria florestal. Além dos bosques que cobrem 75% do território, o país só tinha a oferecer sua mão-de-obra barata. Os finlandeses emigravam em massa para vizinhos ricos, como a Suécia, em busca de melhores condições de vida. Preocupados com a má qualidade das escolas públicas, os pais estavam transferindo os filhos para instituições privadas de ensino. Em alguns desses aspectos, a Finlândia se parecia com o Brasil. A reforma educacional colocou a qualificação dos professores a cargo das universidades, com duração de cinco anos. Hoje, a profissão é disputadíssima (só 10% dos candidatos são aprovados) e usufrui grande prestígio social (é a carreira mais desejada pelos estudantes do ensino médio).
O segundo passo da reforma, em 1985, foi descentralizar o sistema de ensino. Por esse conceito, o professor é o principal responsável pelo desempenho de seus alunos: é ele quem avalia os estudantes, identifica os problemas, busca soluções e analisa os resultados. O Ministério da Educação dá apenas as linhas gerais do conteúdo a ser lecionado. "Isso só é possível porque os professores recebem um treinamento prático específico para saber lidar com tanta independência", disse a VEJA Hannele Niemi, vice-reitora da Universidade de Helsinque, que trabalha com a formação de professores há três décadas. O currículo escolar também é flexível, decidido em conjunto entre professores, administradores, pais e representantes dos alunos. A cada
três anos, as metas da escola são negociadas com o Conselho Nacional de Educação, órgão responsável por aplicar as políticas do ministério. "Queremos que os professores e os diretores, que conhecem o dia-a-dia da escola, sejam responsáveis pela educação", diz Reijo Laukkanen, um dos membros mais antigos do Conselho Nacional de Educação.
O governo finlandês faz anualmente um teste com todas as escolas do país e o resultado é entregue ao diretor da instituição, comparando o desempenho de seus alunos com a média nacional. Cabe aos diretores e aos professores decidir como resolver seus fracassos. Esse sistema tem o mérito de fazer com que os professores se sintam motivados para trabalhar. A reforma educacional finlandesa levou três décadas para se consolidar. Pouco a pouco, as crianças voltaram a ser matriculadas nas escolas públicas e as instituições privadas foram incorporadas ao sistema do estado. Hoje, 99% das escolas são públicas e o aluno conta com material escolar, refeições e transporte gratuitos. Cerca de 20% dos estudantes recebem algum tipo de reforço escolar, índice acima da média internacional, de 6%. "Quando um aluno repete, perde toda sua motivação, torna-se amargo e pode até apresentar resultados piores que na primeira tentativa", diz Eeva Penttilä, do departamento de educação da cidade de Helsinque.
O sucesso da educação finlandesa é, em parte, fruto das características únicas do país. A população, de 5,2 milhões de habitantes, é relativamente pequena e homogênea. "Com uma população 35 vezes maior e disparidades regionais e sociais mais acentuadas, o Brasil não conseguiria ter o mesmo padrão de igualdade entre as escolas, como existe na Finlândia", diz João Batista de Oliveira, ex-secretário executivo do Ministério da Educação. O preço do sistema de bem-estar social que assiste o cidadão do berço ao túmulo é uma carga tributária de 43% do PIB, uma das maiores do mundo, mas apenas seis pontos acima da brasileira. Ou seja, trata-se de um estado paquidérmico, mas eficiente. A Finlândia é o país menos corrupto, segundo a Transparência Internacional.
Há quase treze anos na Finlândia, a brasileira Andrea Brandão conhece bem as diferenças entre as duas sociedades. "No Brasil, muita gente acha que algumas profissões, como porteiro, não necessitam de um ensino básico de qualidade", diz. "Na Finlândia, existe um consenso de que todo mundo precisa ter uma educação mínima para ser um cidadão." Andrea é professora de inglês em uma das poucas escolas particulares do país, voltada para a população de fala sueca, que é minoria na Finlândia. Particular, nos "moldes finlandeses", significa que os alunos pagam uma anuidade opcional de 100 euros, pouco mais de 250 reais.
A estudante Eeva-Maria Puska, de 16 anos, passa seis horas e meia por dia na escola Meilahden Yläaste, em Helsinque. Além das disciplinas obrigatórias, ela freqüenta aulas de música, artes e francês, opcionais para os alunos da 9ª série. Mesmo com tantas matérias, Eeva não reclama da carga horária nem, menos ainda, do ambiente: "Gosto dos meus professores, tanto como profissionais quanto como pessoas", afirma. Na sua escola, professores e alunos conversam amigavelmente nos corredores espaçosos e bem iluminados.
A educação de qualidade foi essencial para uma virada na economia finlandesa. A mão-de-obra qualificada permitiu que a eletrônica substituísse a madeira e o papel como principais produtos de exportação. A Finlândia tem hoje o terceiro maior investimento em pesquisa e desenvolvimento do planeta, grande parte feita por empresas privadas. Uma antiga fábrica de papéis e de botas de borracha do interior do país foi o símbolo dessa transformação. A empresa, Nokia, hoje é a maior fabricante mundial de celulares, com 40% do mercado internacional. Juntos, ela e o sistema educacional são os dois maiores orgulhos dos finlandeses.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Aluno que sofreu queimaduras em escola do RJ receberá indenização de R$ 25 mil
Da Redação*
Em São Paulo
O município do Rio de Janeiro terá que pagar uma indenização de R$ 25 mil a um estudante de 13 anos. Ele sofreu queimaduras graves nos pés em um banheiro do Ciep Maestrina Chiquinha Gonzaga, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. A juíza Neusa Regina Larsen de Alvarenga Leite, da 14ª Vara da Fazenda Pública, considerou que cabe ao município manter a integridade física dos alunos que estão dentro da escola.
O acidente ocorreu por volta das 9h30 do dia 28 de junho de 2005. Um estudante ateou fogo numa garrafa com álcool e jogou por debaixo da porta da cabine do banheiro em que a vítima estava. Os sapatos, meias e bermuda do jovem ficaram queimados e, em decorrência dos ferimentos, o aluno ficou quatro meses afastado das aulas e acabou reprovado no final do ano.
Segundo a juíza, o município do Rio está sujeito às normas do artigo 37, parágrafo 6º, da Constituição da República, que responsabiliza pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado, prestadoras de serviços públicos, pelos danos que seus agentes causarem a terceiros.
"No que concerne à existência do dano, este ficou comprovado. Os documentos anexados aos autos, a prova oral colhida em audiência demonstram que a vítima sofreu queimaduras nos pés enquanto estava no banheiro da escola. O nexo de causalidade também ficou demonstrado, pois o resultado danoso ocorreu no interior da escola e durante o horário escolar", afirmou a magistrada. A sentença foi publicada no dia 7 de julho e o município poderá entrar com recurso.
*Com informações da Assessoria de Imprensa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Fonte: UOL 20/07/2009
Em São Paulo
O município do Rio de Janeiro terá que pagar uma indenização de R$ 25 mil a um estudante de 13 anos. Ele sofreu queimaduras graves nos pés em um banheiro do Ciep Maestrina Chiquinha Gonzaga, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. A juíza Neusa Regina Larsen de Alvarenga Leite, da 14ª Vara da Fazenda Pública, considerou que cabe ao município manter a integridade física dos alunos que estão dentro da escola.
O acidente ocorreu por volta das 9h30 do dia 28 de junho de 2005. Um estudante ateou fogo numa garrafa com álcool e jogou por debaixo da porta da cabine do banheiro em que a vítima estava. Os sapatos, meias e bermuda do jovem ficaram queimados e, em decorrência dos ferimentos, o aluno ficou quatro meses afastado das aulas e acabou reprovado no final do ano.
Segundo a juíza, o município do Rio está sujeito às normas do artigo 37, parágrafo 6º, da Constituição da República, que responsabiliza pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado, prestadoras de serviços públicos, pelos danos que seus agentes causarem a terceiros.
"No que concerne à existência do dano, este ficou comprovado. Os documentos anexados aos autos, a prova oral colhida em audiência demonstram que a vítima sofreu queimaduras nos pés enquanto estava no banheiro da escola. O nexo de causalidade também ficou demonstrado, pois o resultado danoso ocorreu no interior da escola e durante o horário escolar", afirmou a magistrada. A sentença foi publicada no dia 7 de julho e o município poderá entrar com recurso.
*Com informações da Assessoria de Imprensa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Fonte: UOL 20/07/2009
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Uma sopa que dá ciência
Em um frio mês de junho, um casal de brasileiros com dois filhos tem o privilégio de almoçar e jantar em família. Na segunda-feira, o almoço tradicional é a bisteca de porco com arroz e feijão. Apesar do cardápio ser repetido no jantar, acaba sobrando na geladeira um pouco de feijão e de bisteca . Na quarta, o mesmo acontece com a feijoada e, na quinta, com o molho de tomate do macarrão. Ambos sobram e vão para o refrigerador. Na sexta, mais fria ainda, ao olharem os restos na geladeira, as crianças pedem para a mãe aquela sopa maravilhosa em que os restos da bisteca, um pouco de feijão e a sobra daquele molho temperado de macarrão se misturam aos legumes frescos e a um macarrãozinho pequenino. Assim nasce uma sopa maravilhosa que transforma as barrigas da família em verdadeiras bolas de basquete.
A esta altura o leitor deve estar se perguntando: que diabos aconteceu nesta coluna Neotrópicas? Virou site de receitas? O que isso tem a ver com a transdisciplinarida de?
Na realidade, o cardápio da semana da família do Sul ou Sudeste brasileiro ilustra muito bem como funciona um projeto científico transdisciplinar. Quando se fala de uma iniciativa multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar, a maioria das pessoas pensa na mesma coisa: misturar disciplinas. Essa é ainda a conotação geral, mas, gradativamente, os três termos começam a ser encarados de maneira distinta e, com isso, novas formas de ver a ciência estão sendo desenvolvidas.
Primeiro, é preciso entender o que são as disciplinas. Isso é fácil. A maioria de nós foi educada por meio do ensino disciplinar. Disciplina é um ramo particular do conhecimento cujos elementos de definição (por exemplo, os fenômenos, os conceitos, a epistemologia, as teorias e os métodos) o distinguem de outros ramos. Só para lembrar, algumas disciplinas dentro das grandes áreas em que se inserem. Nas ciências naturais, há a biologia, a química, as ciências da terra, a matemática e a física; Nas ciências sociais, a antropologia, a economia, as ciências políticas, a psicologia e a sociologia. Nas humanidades, a arte, a história, a literatura, a música, a filosofia e os estudos religiosos.
A forma como lidamos com as disciplinas pode levar à multi, inter ou transdisciplinaridade.
Num projeto multidisciplinar, as disciplinas caminham em paralelo mas sem interagirem. Esse é um dos tipos mais comuns de ciência, em que o pesquisador faz uma pergunta dentro de sua disciplina de especialidade e realiza experimentos e/ou observações para respondê-la.
Na interdisciplinarida de, disciplinas diferentes interagem entre si. A bioquímica provavelmente começou quando os químicos se interessaram em estudar as moléculas orgânicas e viram que havia uma dinâmica toda especial nos seres vivos. Outro exemplo: para desenvolver a biologia molecular, foi necessário usar conhecimentos da física, da química e de vários ramos da biologia (zoologia, botânica, ecologia).
A característica principal da interdisciplinarida de, como seu nome dá a entender, é promover a interação entre disciplinas e gerar algo novo, uma propriedade emergente que não existiria se não tivesse havido a interação. Consequentemente, nesse caso, a novidade emerge de uma tensão que leva ao preenchimento de uma lacuna existente entre as disciplinas. Essas zonas de tensão podem servir para o pesquisador encontrar novos problemas sem solução e transformá-los em linhas de pesquisa originais.
A chamada “ciência normal” ou “ciência do modo 1” tem usado essa abordagem para avançar e preencher tudo com novos conhecimentos. É como um quebra-cabeças gigante que começa a ser montado em várias regiões diferentes da figura, a partir de peças que à primeira vista não apresentam nenhuma ligação entre si. Os espaços vão sendo gradativamente preenchidos até que as inter-relações entre os diferentes elementos da figura mostrem algo mais complexo.
Mas a ciência aparentemente não para por aí. Alguns autores acreditam que ela está mudando gradativamente “do modo 1” para o “modo 2”. Ou seja, para a ciência transdisciplinar, uma abordagem em que o problema a ser resolvido não é circunscrito a uma única disciplina, mas a várias. Quando a pesquisa trabalha de forma interdisciplinar para resolver um problema que se tornou uma demanda da sociedade, estamos fazendo a “ciência do modo 2”. As mudanças climáticas são um exemplo desse novo jeito de fazer pesquisa. A elevação na temperatura global foi descoberta pelos cientistas. O tema virou assunto de Estado e se tornou uma grande demanda da sociedade. E, agora, juntando o saber de várias disciplinas, os pesquisadores tentam frear o aquecimento global.
A Europa já vem se movendo nessa direção há algum tempo e existem discussões bastante profundas sobre o assunto. Mas nem sempre projetos que se dizem transdisciplinares o são realmente. Não basta simplesmente achar um problema e convidar colegas de áreas diferentes para realizar pesquisa sob os seus pontos de vista e depois escrever um relatório com itens separados. Para ser transdisciplinar, é preciso fazer um verdadeiro sopão da sexta, com os restos da comida deliciosa que comemos no meio da semana. O sopão é um prato em si, com características próprias, distintas dos antigos sabores que caracterizavam as sobras das receitas que, misturadas, lhe deram origem.
Humm, não vejo a hora de chegar a sexta.
Referências
Zierhofer, W. And Burger,P. 2007. Disentangling Transdisciplinarity : an analysis of knowledge integration in problem-oriented research. Science Studies 20 vol 1:51-74.
Repko, A.F. 2008. Interdisciplinary Research: Process and Theory. Sage Publications Inc. 416p.
A esta altura o leitor deve estar se perguntando: que diabos aconteceu nesta coluna Neotrópicas? Virou site de receitas? O que isso tem a ver com a transdisciplinarida de?
Na realidade, o cardápio da semana da família do Sul ou Sudeste brasileiro ilustra muito bem como funciona um projeto científico transdisciplinar. Quando se fala de uma iniciativa multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar, a maioria das pessoas pensa na mesma coisa: misturar disciplinas. Essa é ainda a conotação geral, mas, gradativamente, os três termos começam a ser encarados de maneira distinta e, com isso, novas formas de ver a ciência estão sendo desenvolvidas.
Primeiro, é preciso entender o que são as disciplinas. Isso é fácil. A maioria de nós foi educada por meio do ensino disciplinar. Disciplina é um ramo particular do conhecimento cujos elementos de definição (por exemplo, os fenômenos, os conceitos, a epistemologia, as teorias e os métodos) o distinguem de outros ramos. Só para lembrar, algumas disciplinas dentro das grandes áreas em que se inserem. Nas ciências naturais, há a biologia, a química, as ciências da terra, a matemática e a física; Nas ciências sociais, a antropologia, a economia, as ciências políticas, a psicologia e a sociologia. Nas humanidades, a arte, a história, a literatura, a música, a filosofia e os estudos religiosos.
A forma como lidamos com as disciplinas pode levar à multi, inter ou transdisciplinaridade.
Num projeto multidisciplinar, as disciplinas caminham em paralelo mas sem interagirem. Esse é um dos tipos mais comuns de ciência, em que o pesquisador faz uma pergunta dentro de sua disciplina de especialidade e realiza experimentos e/ou observações para respondê-la.
Na interdisciplinarida de, disciplinas diferentes interagem entre si. A bioquímica provavelmente começou quando os químicos se interessaram em estudar as moléculas orgânicas e viram que havia uma dinâmica toda especial nos seres vivos. Outro exemplo: para desenvolver a biologia molecular, foi necessário usar conhecimentos da física, da química e de vários ramos da biologia (zoologia, botânica, ecologia).
A característica principal da interdisciplinarida de, como seu nome dá a entender, é promover a interação entre disciplinas e gerar algo novo, uma propriedade emergente que não existiria se não tivesse havido a interação. Consequentemente, nesse caso, a novidade emerge de uma tensão que leva ao preenchimento de uma lacuna existente entre as disciplinas. Essas zonas de tensão podem servir para o pesquisador encontrar novos problemas sem solução e transformá-los em linhas de pesquisa originais.
A chamada “ciência normal” ou “ciência do modo 1” tem usado essa abordagem para avançar e preencher tudo com novos conhecimentos. É como um quebra-cabeças gigante que começa a ser montado em várias regiões diferentes da figura, a partir de peças que à primeira vista não apresentam nenhuma ligação entre si. Os espaços vão sendo gradativamente preenchidos até que as inter-relações entre os diferentes elementos da figura mostrem algo mais complexo.
Mas a ciência aparentemente não para por aí. Alguns autores acreditam que ela está mudando gradativamente “do modo 1” para o “modo 2”. Ou seja, para a ciência transdisciplinar, uma abordagem em que o problema a ser resolvido não é circunscrito a uma única disciplina, mas a várias. Quando a pesquisa trabalha de forma interdisciplinar para resolver um problema que se tornou uma demanda da sociedade, estamos fazendo a “ciência do modo 2”. As mudanças climáticas são um exemplo desse novo jeito de fazer pesquisa. A elevação na temperatura global foi descoberta pelos cientistas. O tema virou assunto de Estado e se tornou uma grande demanda da sociedade. E, agora, juntando o saber de várias disciplinas, os pesquisadores tentam frear o aquecimento global.
A Europa já vem se movendo nessa direção há algum tempo e existem discussões bastante profundas sobre o assunto. Mas nem sempre projetos que se dizem transdisciplinares o são realmente. Não basta simplesmente achar um problema e convidar colegas de áreas diferentes para realizar pesquisa sob os seus pontos de vista e depois escrever um relatório com itens separados. Para ser transdisciplinar, é preciso fazer um verdadeiro sopão da sexta, com os restos da comida deliciosa que comemos no meio da semana. O sopão é um prato em si, com características próprias, distintas dos antigos sabores que caracterizavam as sobras das receitas que, misturadas, lhe deram origem.
Humm, não vejo a hora de chegar a sexta.
Referências
Zierhofer, W. And Burger,P. 2007. Disentangling Transdisciplinarity : an analysis of knowledge integration in problem-oriented research. Science Studies 20 vol 1:51-74.
Repko, A.F. 2008. Interdisciplinary Research: Process and Theory. Sage Publications Inc. 416p.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Dança dos salários na Baixada
Nova Iguaçu demite 193 e reduz vencimentos de prefeito e secretários para dar reajuste de 16% a professores
Geraldo Perelo e Marcos Galvão
Rio - No mesmo dia em que anunciou proposta de reajuste de 16% para os professores e revisão do plano de cargos e salários da categoria, o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, também disse que haverá demissão de funcionários de cargos comissionados e redução de salários de secretários e dele próprio. O plano ainda será submetido à Câmara de Vereadores, onde o prefeito tem ampla maioria. Mas as demissões já começaram. Desde segunda-feira, 193 pessoas foram exoneradas, a maioria da Secretaria de Obras.
Lindberg explicou que o reajuste vai representar um aumento de R$ 1,3 milhão na folha de pagamento do magistério. “Tive de fazer uma série de ajustes no quadro, sem mexer, é claro, nos funcionários efetivos, mas extinguindo cargos de confiança, comissionados”, revelou. O prefeito contou que reduziu até o próprio salário — bruto de R$ 9 mil — em 20%. Salários de secretários, secretários-adjuntos e subsecretários também foram cortados, o que gerou até pedidos de demissão nos últimos dias.
Reunidos no auditório da universidade Unig, cerca de 4 mil professores aplaudiram a proposta, que eleva o piso mínimo da categoria para R$ 1.576, podendo chegar a R$ 4.010 para quem tiver doutorado. O projeto será detalhado para os professores nas 124 escolas do município. O aumento será dividido em duas etapas: a primeira, em agosto, para todos os professores. Na segunda, em fevereiro de 2010, a gratificação vai variar de acordo com a formação de cada um. O Sepe considerou um avanço, mas destacou que o plano de carreira deve ser melhor esclarecido. A entidade pretende discutir o projeto com a categoria nos próximos dias.
Piso de 20 horas passa para R$ 1.576
Na nova proposta, os profissionais de educação com carga semanal de 20 horas terão piso base de R$1.576, o que vale tanto para professores da educação infantil ao 5º ano (Professor II) — que recebem R$ 1.021 —, como para os de 6º ao 9º ano (Professor I), cujo salário é de R$ 1.071.
Quem tem licenciatura plena passará de R$ 1.126 para R$ 1.876. Os pós-graduados passarão de R$ 1.182 para R$ 2.056. Quem tem mestrado passa de R$ 1.241 para R$ 2.452. Por fim, os doutores, que não são contemplados no plano atual, ganharão R$ 3.165. Com o triênio, podem chegar a R$ 4.010.
Fonte: O DIA ONLINE – 16 de julho de 2009
Geraldo Perelo e Marcos Galvão
Rio - No mesmo dia em que anunciou proposta de reajuste de 16% para os professores e revisão do plano de cargos e salários da categoria, o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, também disse que haverá demissão de funcionários de cargos comissionados e redução de salários de secretários e dele próprio. O plano ainda será submetido à Câmara de Vereadores, onde o prefeito tem ampla maioria. Mas as demissões já começaram. Desde segunda-feira, 193 pessoas foram exoneradas, a maioria da Secretaria de Obras.
Lindberg explicou que o reajuste vai representar um aumento de R$ 1,3 milhão na folha de pagamento do magistério. “Tive de fazer uma série de ajustes no quadro, sem mexer, é claro, nos funcionários efetivos, mas extinguindo cargos de confiança, comissionados”, revelou. O prefeito contou que reduziu até o próprio salário — bruto de R$ 9 mil — em 20%. Salários de secretários, secretários-adjuntos e subsecretários também foram cortados, o que gerou até pedidos de demissão nos últimos dias.
Reunidos no auditório da universidade Unig, cerca de 4 mil professores aplaudiram a proposta, que eleva o piso mínimo da categoria para R$ 1.576, podendo chegar a R$ 4.010 para quem tiver doutorado. O projeto será detalhado para os professores nas 124 escolas do município. O aumento será dividido em duas etapas: a primeira, em agosto, para todos os professores. Na segunda, em fevereiro de 2010, a gratificação vai variar de acordo com a formação de cada um. O Sepe considerou um avanço, mas destacou que o plano de carreira deve ser melhor esclarecido. A entidade pretende discutir o projeto com a categoria nos próximos dias.
Piso de 20 horas passa para R$ 1.576
Na nova proposta, os profissionais de educação com carga semanal de 20 horas terão piso base de R$1.576, o que vale tanto para professores da educação infantil ao 5º ano (Professor II) — que recebem R$ 1.021 —, como para os de 6º ao 9º ano (Professor I), cujo salário é de R$ 1.071.
Quem tem licenciatura plena passará de R$ 1.126 para R$ 1.876. Os pós-graduados passarão de R$ 1.182 para R$ 2.056. Quem tem mestrado passa de R$ 1.241 para R$ 2.452. Por fim, os doutores, que não são contemplados no plano atual, ganharão R$ 3.165. Com o triênio, podem chegar a R$ 4.010.
Fonte: O DIA ONLINE – 16 de julho de 2009
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